sexta-feira, 26 de outubro de 2007

A Mitologia Hindu

A primeira preocupação do autor foi manter a história o mais próxima possível da mitologia hindu/budista, que nada tem a ver com a grega. Apesar dos dramalhões, Shurato não fica enrolando três capítulos com o mesmo duelo como em Saint Seiya. E o melhor: segue quase que à risca a mitologia hindu/budista.
O Hinduísmo é uma religião muito complexa e o panteão indiano está costurado diferentemente daqueles dos gregos ou nórdicos. Não existe uma divindade suprema que está à frente dos outros e cada deus é considerado o maior nos hinos a eles dedicados.
Os arianos que, por volta de 1.500 a.C., invadiram a Índia a partir do Norte, tinham vários deuses: o Céu, o Sol, a Terra, adorados sob forma humana. Em seu louvor escreviam hinos e cânticos, coletados nos vedas ("conhecimento" em sânscrito), como se chamam os livros dos sacerdotes hindus, dos quais se colheram noções da mitologia. O mais velho é Rig Veda ("conhecimento real"), que descreve a criação do Universo. O Rig Veda sugere ainda que existia um só deus, desdobrado em vários aspectos: o Céu, pai do crepúsculo, Vayu (o vento), pai dos deuses da tempestade. Soma, pai das plantas, e Sarasvati, dos rios. Indra, filho da verdade, e Agni, filha do poder. Geralmente, eram benignos e amavam a honestidade e a retidão. Existe, ainda, Mariichiten, deus patrono da classe guerreira (inclusive no Japão), que tinha habilidades como o disfarce e o sumiço.
Os mitos indianos são, seguramente, os mais complicados, têm várias ramificações e os textos recuperados apresentam várias divergências e contradições. Apesar disso, o artífice de encenatura soube representá-los bem, tornando-os menos caóticos.
Quanto ao Budismo, este é um sistema ético, religioso e filosófico fundado pelo príncipe Siddharta Gautama, o Buda, difundido por todo o Extremo Oriente, e que consiste fundamentalmente no ensinamento de como, pela conquista do mais alto conhecimento, se escapa da roda dos nascimentos e se chega ao nirvana.

Os Seis Mundos
O budismo hindu divide o Universo em seis mundos: dos Devas, dos Asuras (em japonês Ashuras ou Shuras), dos Homens, dos Animais, dos Pretas e do Nevoeiro.
O Mundo do Nevoeiro (ou Inferno propriamente dito) representa o Ódio e é habitado por espíritos ou seres demoníacos totalmente perversos.
O Mundo dos Pretas é habitado por demônios famintos que representam a Ganância e o Sofrimento.
O Mundo dos Animais representa a Ignorância e é habitado pelos animais.
O Mundo dos Homens representa a Inconseqüência.
O Mundo dos Asuras é habitado por seres que possuem a forma de seres humanos, mas com três faces e três pares de braços. Como não podem colher o soma dos Devas, vivem em constante guerra contra eles. Representam a Inveja.
O Mundo dos Deuses ou Mundo Celestial é habitado por seres imensamente belos, os Devas, sempre cercados de abundância e opulência, bebendo o soma. Como nem todos possuem consciência de que um dia esses prazeres terão fim, alguns são arrogantes. Assim, representam o Orgulho.

Deva
["Brilhante"]
Nas religiões do Oriente são cada uma das diversas divindades masculinas que se situam entre os seres divinos superiores e os homens. No bramanismo, são deuses benéficos e imortais a quem se oferecem sacrifícios.

Garuda
Designação genérica dos veículos dos deuses. Às vezes confundida com baruda.

Mandala
Objeto onde cada um de seus pontos representa uma fonte de energia. Em outras palavras, um círculo com vários pontos, que quando interligados geram uma grande concentração energética. No tantrismo, Mandala é um diagrama composto por círculos e quadrados concêntricos; uma imagem do mundo e instrumento que serve à meditação.

Mantra
["Canalizador psíquico"]
No tantrismo, é uma fórmula encantatória, dotada do poder de materializar a divindade invocada.

Moksha
["Extinção"]
É o estado de ausência total de sofrimento; é a paz e plenitude a que se chega por uma evasão total de si que é a realização da sabedoria. Chamado de Nirvana no Budismo.

Shakti
["Energia"]
No hinduismo, todos os deuses masculinos têm uma shakti como esposa, com a qual se unem (também no sentido sexual) em matrimônio para se tornarem completos e partilharem de todo o conhecimento universal.

Soma
É uma preparação alcoólica que os hindus védicos derramavam sobre o fogo dos sacrifícios. Os vedas descrevem o somo como sendo o néctar da imortalidade.

Tantras
["Uso, trama"]
Às vezes confundidos com mantra, são livros de doutrina religiosa elaborados na Índia a partir do século VII, que reúnem especulações, crenças, símbolos, rituais e práticas mágicas diversas, que do século XV em diante contribuíram para a formação do tantrismo.

Tantrismo
Religião sincrética derivada do hinduísmo, do budismo e de cultos populares, e que se cristalizou por volta do século XV, caracterizada pela magia e ocultismo, associado a complexo simbolismo, à iconolatria e à prática ioga.

Ten-ryuu Hachi-busshuu
["Dragões Celestiais 8 Guardiões Búdicos"]
Costuma-se chamá-los apenas por Hachi-busshuu ("8 Guardiões Búdicos"). É o nome dado aos oito deuses menores que protegem o budista e mantém a harmonia no Universo. São chamados de rajás (reis). São eles: o Rajá Ashura Ragora, o Deus da Luta, o único da sua raça que não é inimigo dos Devas; o Rajá Naga, em japonês Ryuu, o Rei Dragão; o Rajá Yahsha, o Rei da Noite; o Rajá Deva, em japonês Ten, o Rei Celestial; o Rajá Karura, o Rei Fênix, também chamado Garuda Karura; o Rajá Gandharva, em japonês Hiba, o Rei Rinoceronte; o Rajá Mahoraga, em japonês Dappa, o Rei Búfalo d'Água; e o Rajá Kimnara, ou simplesmente Nara, o Rei (Rainha em Shurato) Unicórnio.

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